Pessoas…
Pessoas são falhas, cometem erros, jugam, se precipitam.
Nós somos assim, e disso não podemos fugir. Podemos sim tentar melhorar, mas a natureza humana tende ao erro. Isso eu entendo bem.
O que eu não consigo entender são algumas atitudes, que talvez eu nem deveria mesmo tentar entender, mas eu fico aqui pensando, buscando respostas para certas coisas, procurando caminhos que me façam conviver melhor com o outro, amar o outro incondicionalmente, ser feliz por ser capaz de fazer aqueles que estão a minha volta felizes também…
Mas faço e me decepciono. Faço e tropeço. Faço e não sei se estou fazendo certo.
Confio e caio numa rede de incertezas tão ruim…
Por que as pessoas não conseguem conviver com a felicidade?
Ando em dúvida, principalmente quando o assunto é confiança.
Já tomei muitos tombos nessa vida, confiei em gente que não devia, quebrei a cara, mas há em mim uma pré disposição para acreditar. Para perdoar também. Eu relevo, e assim, vivo bem.
Mas de tanto cair, as feridinhas hoje em dia já custam a cicatrizar e doem um pouco mais que doiam antes. E aí eu me pergunto: De novo?
Como lidar?
O que fazer quando alguém que você gosta muito te decepciona? Fala coisas de você para outras pessoas, revela segredos?
O que pensar?
Isso está acontecendo comigo… E, o que eu não sabia é que doeria tanto caso isso acontecesse. Mas doeu. Doeu muito. Ainda dói.
Quando penso nesse assunto, meu coração gela. Não só o coração, mas as costas e a nuca também.
Tento analisar.
Situação: Do mais improvável, nasce o possível. Certamente, pela ação de Deus, surgiu uma amizade que ninguém poderia imaginar, entre mim e X, devido a algumas circunstâncias da vida.
Uma amizade bonita, verdadeira, de cuidado, carinho, risadas, conselhos e bons momentos. E assim estava. E assim seguia, embora algumas pessoas, me falassem que achava estranho, que não era para eu confiar em X, que eu poderia me dar mal. Nunca liguei. Pois sou assim, quando não gosto, não gosto e pronto! Mas quando gosto, é de verdade. Amo, cuido, protejo, defendo, ajudo…. Isso é meu, então não valorizei nenhum tipo de comentário. Pelo contrário, enfrentei muita gente e mostrei que X era sim um ser humano do bem, que não havia razão para desconfianças, ciúmes ou algo do gênero. Tudo ficou bem. Meu círculo de amizades, embora resistente, também aceitou X. Todos convivendo muito bem.
Eis que, de repente, Y, que gosto muito também, admiro, converso, conto minhas coisas, após um desabafo meu, me contou coisas que me entristeceram. Disse que X, havia falado certas coisas de mim, que me chamou disso e daquilo, e falou isso e isso. Y disse que já queria me contar isso a mais tempo, mas não sabia como. E que estava me contando para que eu apenas ficasse mais esperta, tomasse mais cuidado.
Chorei muito. Fiquei realmente certa de que o ser humano é louco. Todos nós vivemos em um grande hospício. Rezei. Rezei muito. Fiquei me perguntando milhões de coisas… X realmente falou isso de mim, contou isso? Se Y gosta de mim, porque mentiria e como saberia dessa ou daquela situação, já que não contei. Se X não gosta de mim dessa forma, porque tenta sustentar essa amizade. E se Y gosta mesmo de mim, por que não me falou antes, por que agora, nesse momento confuso e tão cheio de preocupações na minha vida?
Decidi fazer como Maria. Silenciar. Guardar tudo no meu coração. Embora por dentro, o coração estaja sangrando, por fora, permanecerá um sorriso e o meu: “Tá tudo bem.”
X insistiu em demonstrar carinho por mim. Disse que sou importante. Y me pede para tomar cuidado e abrir os olhos, porém, Y já deu uma vacilada comigo uma vez… Algo que também me entristeceu, mas no entando, eu relevei. Será que alguém está mentindo nessa história?
Em quem acreditar? Em quem confiar?
O meu “Eu” de algum tempo atrás, faria barraco, arrumaria tumulto, jogaria tudo no ventilador e que se dane! Mas, eu mudei. Estou numa vibe diferente. Numa comunicação mais ampla com Deus e tentanto discernir tudo que vivo, tudo que ouço, tudo que sinto.
Não quero criar confusão, não quero fofoca, principalmente envolvendo o meu nome, não quero me afastar de ninguém nem das coisas que me fazem bem. Não quero expor ninguém como já fizeram comigo. Mas faço questão da sinceridade.
Uma amizade, a meu ver, deve ser simples, pura, verdadeira, sem competições, falsidade, joguinhos, e desconfianças.
Como acreditar? Quem realmente é meu amigo nessa confusão toda?

Bom, decidi confiar em Deus. Depositar Nele a minha confiança.

Ele sim me mostrará toda a verdade, pois ela sempre vem a tona.
Continuarei silenciando sobre esta questão. Continuarei rezando. Pedindo a Deus que me mostre a face de cada um que me cerca. Que me proteja e ilumine minhas decisões.
Tenho a certeza que Deus me mostrará a verdade através das atitudes das pessoas. Palavras são palavras. Atitudes, me dizem muito mais. E Deus é muito sutil… Como estou em constante comunicação com ele, me exercitando espiritualmente, tenho percebido que Deus se comunica na simplicidade, e Ele me tem feito sensível aos Seus sinais…
Amigo de verdade é amigo sempre. Amigo de verdade não desiste. Amigo de verdade só quer o nosso bem. Amigo de verdade nos preserva das decepções, se tornando assim, um facilitador da felicidade.
Quem estará do meu lado quando eu precisar? Quem chorará e rirá comigo? Quem me estenderá a mão?
Deus me apontará quem trama e quem tá comigo. Isso é fato.

Enquanto isso, rezo, silencio, medito e deposito a minha confiança em realmente não me decepcionará nunca: Deus.
Ele sim, é meu maior e melhor amigo.

Muita Fé.

Eu assisto BBB sim, e daí?!

Mas Camiiiiilla, você?
Siiiiim! E não me torno uma pessoa pior, ou burra ou ignorante pelo fato exposto! Sou, no mááááximo, intelectualmente incorreta!!! Hahhahahahaha!
Leio Clarice, Shakespeare, Machado, Rilke, Whitman, Woof e assisto Big Brother.
Gosto do programa, de dar pitaco, de saber quem vai ficar com que, das intrigas…
Ué… Tem gente que ouve funk, tem gente que assiste corrida de carro, tem gente que vê novela, tem gente que bebe até vomitar, tem gente que gosta de Michel Teló, tem gente que nunca leu um livro na vida… E ainda me julgam porque eu vejo BBB??? Ahhh váááá!
Se você não gosta, troque de canal! Mas não encha o meu saco, por obséquio!
E como dizia a saudosa Solange, ex frentista e ex BBB: “A vida é minha, o pobrema é meu, e é por isso que eu canto: iaaaaarnuouuuu iaaaaaar nessilveeeeeerrrr…”

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

Não fumo mais. Não bebo mais. Estou malhando. Mudei o corte de cabelo. O estilo. O perfume.
Abandonei alguns hábitos e adquiri outros novos.
Farei uma nova tatuagem.
Abri mão de algumas pessoas e outras estão chegando… Parece que é pra ficar…
A essência, o carisma, algumas angústias, o sorriso… Isso tudo permanece.
Tudo novo de novo. Tudo se percebe de maneira diferente…
E a vida se faz igual… O que muda é o sentido.
Quer saber?
Tem dado certo. Fiz as minhas escolhas.
Essa aí, ó… Sou eu… Voando com as próprias asas…

“Alis Volat Propiis”
Aos poucos… Aos poucos…

Mesmo o que se vai e o que se acaba, fica e recomeça.
Tem felicidade nos perrengues e força onde a nossa fraqueza aguça. Ahhhh se tem!
E como é bom passar por cima dos problemas e dizer: Peguei você!
Ando me surpreendendo… Ando chorando, ando sorrindo… Ando mudando com as coisas do mundo…
Ando conhecendo gente que já conhecia. Ando descobrindo novos seres. Ando sendo tão mais eu e tão eu novo!
Eu tenho me amado. Sendo amor pra mim. Feito amor comigo mesma, depois tantas dores, tanto ódio…
Eu tenho ainda a mão amiga na minha mão e um ombro já conhecido para repousar minha cabeça. Tenho olhos e ouvidos novos, isso eu tenho sem saber direito de coisa alguma. Só sei que tenho.
Eu tenho a certeza de que há alguém comigo, alguém por mim. Eu tenho “alguéns”, alguns e argumentos para ser feliz!
Eu tenho andado diferente.
Eu tenho feito a diferença.
Eu tenho andado.
Eu tenho feito.
Eu tenho sido.
Eu tenho.
EU.

Cegos e famintos de amor…
Suas misérias unidas para uma tentativa de cura das almas. Aquelas almas sujas. Almas perdidas e sós. Almas sem luz, sem brilho, sem corpo.
Se precisavam. Se devoravam.
Doentes de desafetos, entregavam-se aos céus numa busca tensa de prazer, numa fria noite de lua minguante. Choravam juntos seus lamentos, acariciavam-se com dó e sofreguidão, suspiravam aliviados por terem um ao outro. E se puniam, aguçando a dor após cada alívio alcançado.
Os olhos aflitos de ambos, exprimiam a doçura daquele angustiante encontro. Gritos e gemidos, e o pânico a se espalhar pela areia onde as quatro patas, os membros, os cabelos roçavam nas pedras, nas folhas, no lixo..
Trapos…
Cúmplices e humanos.
Fracos e decadentes.
Apaixonados. Livres. Apavorados…
Duas carências entrelaçadas, neuroses compartilhadas, vidas estilhaçadas, sonhos roubados…
Desejos aflorados por suas desgraças. Desgraçados por sentimentos inúteis, invencíveis…
Acolheram um ao outro em braços finos na noite que crescia ao redor do mundo. Desgrenhados e caridosos com suas derrotas, percebiam que estragavam a beleza do luar de prata com a voraz intensidade da paixão mal resolvida. Paixão inacabada, abandonada e partida ao meio.
Paixão de morte, como se estar ali fosse o que lhes havia restado da vida… Sim. Só aquilo lhes havia restado. Eram restos.
A matéria de seus corpos magros esfacelava-se a medida que o toque aumentava sua intensidade, sua força. destruiam-se tão em conjunto, tão um ao outro que a necessidade de se tornarem um só os consumia e então, já não se sabia mais onde começavam ou terminavam. E se fizeram um só ser. Um ser só. Dois seres sós. Donos de suas solidões e solitudes. E tristes…
Tristes…
Tristes…
Contudo, apesar da imundície, era amor…
O que se tinha, era amor…
O que os alimentava era esse despedaçado, inóspito, corrompido amor…
Corrompido amor inteiro. Que, embora sujo, verdadeiro.
Que, se não houvesse, vida não haveria para aqueles dois coitados.
Amor, que por ser amor, bastava.

Não é que as coisas nunca tenham feito sentido até agora… Na verdade não faziam. Depois fizeram. E agora já não fazem de novo.
Com algum esforço, tenho me movimentado, mas acontece que estou no centro da esfera, onde não há direitas ou esquerdas e então: para onde ir? Em frente? É isso. Paro e só tenho o “em frente”. Me viro para o lado, e lá está o “em frente” e de costas… “em frente”. É como se qualquer caminho servisse, porque não faz sentido. E eu penso: “Ok. Em frente. Enfrente. Enfrente-se.” É só um passo, depois outro, mais outro e outro… Minhas pernas tremem, meus joelhos doem, meus pés ardem. É muito difícil caminhar sem direção, sem uma mão segurando a minha. E a esfera roda, eu fico tonta, eu fico, eu fico, e sinto, e eu… Às vezes perdida, confusa, sozinha e tudo que tenho são apenas os passos e tudo que espero é só o porvir, e as certezas já caidas por terra, germinam incertezas que brotam e florescem “por quês”, “comos”, “ses”… Mas ficou algo sincero por dentro e isso eu não abro mão de regar, de cultivar, pois ao menos me restou o direito de ser quem eu sou. E se antes eu era o acerto que deu errado, agora sou o erro que insiste em dar certo.

“Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não conseguirás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele (…)”

[ Caio Fernando Abreu ]
Morangos Mofados